Categoria: Gestão de Risco

Como empresas identificam, reduzem e transferem risco antes que ele vire prejuízo.

  • Lucros cessantes: quando a operação para, o faturamento não espera

    Um incêndio dura horas. A reconstrução, meses. E é nesse intervalo — quando o galpão já foi indenizado mas ainda não voltou a operar — que a maioria das empresas descobre que o seguro cobria o prédio e não cobria a empresa.

    O que a apólice patrimonial normalmente cobre

    Uma apólice empresarial padrão responde pelos bens: estrutura, instalações, máquinas, estoque, equipamentos. Se um incêndio destrói o galpão, a seguradora indeniza o que foi perdido.

    Isso resolve o patrimônio. Não resolve a operação.

    Porque enquanto a reconstrução acontece, a empresa continua tendo despesa e parou de ter receita. E as duas coisas não se compensam.

    O prédio é reconstruído. Os meses parados não voltam.

    A linha do tempo de uma parada

    Vale acompanhar o que acontece na prática, semana a semana, porque a conta não é intuitiva.

    Semana 1

    Operação interrompida. Ninguém fatura. Mas o aluguel do imóvel continua correndo, a folha vence no fim do mês, os empréstimos têm parcela, e os fornecedores têm boleto com data marcada.

    Mês 1

    A perícia da seguradora avalia o sinistro. Começa a negociação do valor. Nada foi reconstruído ainda, e a primeira folha sem faturamento correspondente já foi paga.

    Mês 3

    Aqui aparece o custo que ninguém coloca na planilha: o cliente não esperou. Ele precisava do produto ou do serviço e foi para o concorrente. Parte desses clientes não volta nem depois que a operação retoma.

    Mês 6

    A empresa reabre. Com o patrimônio recomposto pela indenização, meio ano de despesa fixa paga do próprio caixa, e uma carteira menor do que tinha antes.

    É exatamente esse intervalo que a cobertura de lucros cessantes existe para atravessar.


    O que lucros cessantes cobre — e o que não cobre

    A cobertura repõe o resultado que a empresa deixou de obter por causa da paralisação, e as despesas fixas que continuaram correndo mesmo com a operação parada.

    Entra: lucro líquido que deixou de ser gerado, despesas fixas que não pararam (aluguel, folha, encargos, contratos de manutenção), e em algumas apólices as despesas extras para acelerar a retomada — locação de um espaço provisório, por exemplo.

    Não entra: a paralisação que não decorre de um sinistro coberto. Se a operação parou por queda de demanda, problema de fornecedor ou decisão comercial, lucros cessantes não responde. A cobertura é sempre consequência de um evento previsto na apólice — incêndio, explosão, dano elétrico, alagamento, conforme o que estiver contratado.

    Os dois números que definem a cobertura

    O período indenitário. É o prazo máximo pelo qual a seguradora indeniza — 3, 6, 12 meses. Ele precisa ser realista com o tempo que a sua operação levaria para voltar. Reconstruir um galpão e recomprar maquinário não é coisa de 90 dias.

    A base de cálculo. É apurada sobre a contabilidade — faturamento e margem dos períodos anteriores. Empresa com contabilidade desorganizada tem dificuldade de comprovar o prejuízo e recebe menos do que teria direito. Essa é a parte que se resolve antes do sinistro, não depois.

    Quatro perguntas para a sua apólice

    • Existe cobertura de lucros cessantes, ou só a patrimonial?
    • Se existe, qual é o período indenitário — e ele bate com o tempo real de retomada da sua operação?
    • Quais eventos disparam a cobertura? Alagamento e dano elétrico estão entre eles?
    • A contabilidade da empresa conseguiria comprovar faturamento e margem dos últimos 12 meses hoje, se precisasse?

    A última pergunta costuma ser a mais desconfortável — e é a única que dá para resolver sem gastar nada.

    Quanto tempo sua empresa aguenta parada?

    Mande sua apólice patrimonial. Devolvo se existe cobertura de lucros cessantes, qual o período indenitário contratado, e se ele é compatível com o tempo real de retomada da sua operação.