É a primeira pergunta de qualquer dono de empresa e a que o mercado de seguros mais evita responder. A resposta padrão — “depende” — é verdadeira e completamente inútil. Então vamos ao que ela esconde.
Por que não existe tabela de preço
Seguro não é produto de prateleira. O prêmio é o cálculo de uma probabilidade: a seguradora estima quanto vai pagar de indenização naquele grupo e divide isso entre as vidas, com margem.
Por isso duas empresas do mesmo tamanho podem receber cotações bem diferentes. Não é falta de padronização — é que elas representam riscos diferentes.
Os cinco fatores que movem o preço
1. O capital segurado
É o valor da indenização. Costuma ser definido como múltiplo do salário — 12, 24, 36 vezes — ou como valor fixo igual para todos. Esse é o fator de maior peso: dobrar o capital aproxima de dobrar o prêmio.
2. A idade média do grupo
Grupo mais jovem custa menos. E aqui há uma vantagem do coletivo sobre o individual: o cálculo é feito sobre a média do grupo, não pessoa por pessoa. Ninguém é recusado ou sobretaxado individualmente.
3. O ramo de atividade
Escritório e canteiro de obra não pagam o mesmo. A seguradora olha o CNAE e a função exercida — motorista, operador de máquina e trabalhador em altura entram em faixas de risco mais altas que administrativo.
4. As coberturas contratadas
Morte é a base. Invalidez, auxílio funeral, cobertura para cônjuge e filhos, antecipação por doença grave — cada item soma. É aqui que a comparação entre propostas costuma escorregar: duas cotações com preços diferentes muitas vezes não estão cobrindo a mesma coisa.
5. O tamanho do grupo
Quanto mais vidas, melhor a diluição do risco e melhor o preço por pessoa. Vinte funcionários já é um grupo com condições razoáveis; abaixo de dez, as opções ficam mais restritas.
Então, a faixa
Para operação com equipe em atividade de risco — transporte, indústria, construção, logística — a conta costuma ficar entre R$ 30 e R$ 60 por funcionário ao mês, considerando vida em grupo com coberturas usuais.
Numa equipe de 20 pessoas, isso dá algo entre R$ 600 e R$ 1.200 mensais para a empresa inteira. Operação administrativa, com risco menor, tende a ficar abaixo dessa faixa.
Vale colocar isso ao lado do outro número: o custo de um único sinistro sem cobertura. A indenização que a apólice pagaria — e que, sem ela, sai do caixa da empresa — costuma equivaler a anos de prêmio.
O seguro é caro comparado a zero. Comparado ao evento que ele cobre, é a menor conta da mesa.
Por que duas cotações dão valores diferentes
Quando isso acontece, quase sempre é por um destes três motivos — e nenhum deles é “uma corretora é mais barata que a outra”:
- As coberturas não são as mesmas. Uma incluiu auxílio funeral e invalidez, a outra só morte. Parece a mesma proposta na capa e não é.
- O capital está diferente. Uma calculou 24 salários, a outra 12. O preço menor cobre menos.
- A informação enviada foi diferente. Se a relação de funcionários ou as funções foram passadas de forma incompleta, a seguradora cotou um risco que não é o real — e isso volta como problema no sinistro, não na assinatura.
O que pedir junto com o preço
Uma cotação sem estes quatro itens não dá para comparar com nada:
- Capital segurado por vida e o critério usado
- Lista completa das coberturas incluídas — e das que ficaram de fora
- Se é cobertura 24 horas ou apenas em serviço
- O que a convenção coletiva da categoria exige, para saber se a proposta atende o mínimo
Com esses quatro na mão, comparar propostas deixa de ser adivinhação.
O número exato da sua operação
Me diga quantos funcionários, o ramo e a cidade. Devolvo a faixa real para o seu caso e o que a convenção da categoria exige — antes de qualquer proposta formal.